Vereadores esclarecem rompimento político com Ricardo Teobaldo


Depois do pré-candidato a deputado federal Ricardo Teobaldo (PTB) falar no último sábado (28) sobre a saída de quatro vereadores que integravam sua base em Limoeiro, na manhã desta terça (01) foi a vez dos parlamentares se pronunciarem sobre o episódio político que ganhou repercussão estadual. Os vereadores Zé Félix, Beto de Washington, Luís do Matadouro e Manoel do Sindicato (todos do PROS) confirmam que deixaram a situação para integrar o grupo oposicionista.

Mas o que motivou o rompimento? A pergunta não poderia ser outra. O vereador Zé Félix, presidente reeleito da Câmara de Vereadores, esclareceu que a eleição para a mesa diretora do Legislativo (onde tudo começou) vinha sendo comentada entre os vereadores e que não foi novidade nenhuma. Ele contou que após marcar a votação comunicou ao prefeito Thiago Cavalcanti (PROS) a chapa que estava sendo inscrita, com o seu nome para presidente e dos vereadores Manoel do Sindicato e Luís do Matadouro, para primeiro e segundo secretários, respectivamente, já que o vereador Daniel do Mercadinho (PROS) não havia aceitado o convite para continuar como secretário.

O presidente da Casa Professor Agripino de Almeida ainda relatou que o ex-prefeito Ricardo Teobaldo ligou para os vereadores que aceitaram a candidatura de Zé Félix dizendo que, caso eles comparecessem à votação, estariam fora do grupo, pois o ex-prefeito não precisaria mais dos votos deles. “Diante dessa situação eu não pude me curvar. O Executivo não pode mandar no Legislativo. Eu poderia morrer, mas não poderia deixar o Legislativo se curvar”, disse Félix, classificando a atitude de “arrogância”. “Como posso ficar em um grupo onde os meus companheiros não são aceitos”, completou.

Zé Félix afirmou que não tem condições de continuar aliado, mas “votará no que for bom para Limoeiro”. Ele ainda negou que tenha recebido dinheiro para integrar a oposição. “Todos em Limoeiro me conhecem. Sou zerado nesse aspecto”, falou. Em relação aos candidatos que receberão o seu apoio e dos outros três vereadores, o advogado foi breve: “Joãozinho sendo de Limoeiro fica mais fácil, pois facilitará as coisas chegarem à Limoeiro. Já Marinaldo Rosendo é um empresário bem sucedido, vem tendo o apoio de Joãozinho há um bom tempo e foi testado em Timbaúba. Isso dá credibilidade”, justificou.

Segundo o presidente da CML, o compromisso dos vereadores era com Ricardo Teobaldo e Zé Humberto. “Após a eleição da Câmara, esperamos 15 dias por um contato. Cheguei a procurar dois secretários mais próximos e não tivemos contato”, revelou. Zé Félix também disse que os oito vereadores que atualmente integram a oposição dispõem de condições de disputar uma eleição para prefeito, é que dependendo da formação do grupo, existe a possibilidade de lançar um nome para 2016.

O vereador Beto de Washington reafirmou as palavras do presidente e negou ingratidão. “Ele (Ricardo Teobaldo) disse que fez muito pelo Bairro João Ernesto. E fez. Mas não podemos ficar apenas com a pracinha e a academia. Ele deve lembrar as ruas que foram prometidas durante a campanha quando fomos pedir votos”, disse o ex-aliado. Beto ainda teceu elogios aos pré-candidatos Joãozinho e Marinaldo, que também receberão o seu apoio.

Já Manoel do Sindicato disse que defendeu o nome de Ricardo até quando o ex-prefeito quis. “Ele não aceitou a nossa atitude em relação à eleição da Câmara e disse que não precisaria dos nossos votos. Eu não vou me ajoelhar”, afirmou o sindicalista. O vereador também deixou um recado para a diretoria do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Limoeiro (STRL), a qual reafirmou que continuará apoiando Ricardo Teobaldo. “Quero avisar que o sindicato não é cavalo de batalha política”, disparou. Momentos antes, o presidente do STRL havia enviado uma nota ao Jornalismo da Cultural FM, confirmando que a entidade continuava com Teobaldo.

E por fim, o vereador Luís do Matadouro disse que o rompimento foi sem arrependimento. “Continuarei votando no que for bom para Limoeiro”, ponderou o legislador. Quando perguntado sobre os servidores que detém cargos comissionados na prefeitura de Limoeiro por ele indicados, Luís disse que tem se preocupado. “Espero que não tenha retaliação”. Segundo o próprio vereador, quatro irmãs ocupam diretorias de escolas, além de uma filha que ocupa a coordenação do SAMU.